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Nova Montagem de 'A Serpente' de Nelson Rodrigues Agita o Teatro em BH

Espetáculo aborda temas contemporâneos como violência e autonomia feminina, prometendo reflexões profundas ao público mineiro.

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 20:03
Nova Montagem de 'A Serpente' de Nelson Rodrigues Agita o Teatro em BH
(Divulgação/Amestia Produções)
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A última obra de Nelson Rodrigues, 'A Serpente', escrita em 1978, ganha uma nova montagem em Belo Horizonte, com apresentações marcadas para os dias 17, 18, 22 e 23 de outubro, no Teatro da Cidade. Sob a direção de Guilherme Colina, o espetáculo promete instigar o público ao abordar questões como desejo, ciúme, violência e relações de poder, através da história de duas irmãs cujas vidas são transformadas por uma decisão drástica.

A trama gira em torno de Lígia, vivida por Carol Carva, que enfrenta um casamento sem intimidade com Décio (Emilliano). Após quase um ano de união, a jovem ainda é virgem e lida com a rejeição do marido, o que a leva a um profundo sofrimento. Ao perceber a situação angustiante da irmã, Guida (Simone Ribeiro) toma uma atitude ousada: oferece a Lígia uma noite com seu próprio marido, Paulo (Bruno Venna). O que se inicia como uma tentativa de ajuda rapidamente se transforma em um emaranhado de conflitos, onde desejo, cumplicidade e ciúme se entrelaçam, testando os limites dos laços familiares e dos acordos afetivos.

Quase cinco décadas após sua criação, a obra de Rodrigues se revela ainda mais atual, abordando temas como a autonomia feminina e a violência nas relações. A montagem busca conectar os dilemas apresentados pelo autor a questões contemporâneas, especialmente as diversas formas de violência contra a mulher. Além da agressão física, a peça explora a humilhação, o controle e a dependência emocional, ressaltando como o afeto e a posse podem se confundir.

Um dos destaques da nova versão é a personagem Crioula, interpretada por Efigênia Maria. Para esta montagem, Colina desenvolveu um solo exclusivo para a atriz, que traz uma crítica à representação da mulher negra na obra original. Essa intervenção não apenas enriquece a narrativa, mas também provoca uma reflexão sobre racismo e representação, criando um diálogo entre o texto de 1978 e as questões sociais contemporâneas. Com isso, a montagem promete não apenas entreter, mas também provocar uma reflexão crítica no público mineiro sobre temas urgentes e relevantes em nosso cotidiano.

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